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Igor Soares
26 June 2009 @ 02:15 am
Eu não sei se vocês repararam, mas tô super ausente do Livejournal, mal tenho comentado nos blogs, lido coisas ou postado aqui. Criatividade anda a zero por falta de tempo. fim de semestre e etc. O tempo virtual que tenho gasto no Twitter, posts imediatos de 140 letras que matam minha criatividade.

Não estou satisfeito.

Queria algo que estivesse no meio caminho do Livejournal e do Twitter: um blog que me permitisse acompanhar as pessoas, postar imagens e videos, algum lugar que eu pudesse me expressar bem e com riqueza de formatos, mas também um lugar onde eu pudesse ser CONCISO e pudesse postar o que me desse na telha.

Achei meu lugar e a partir de agora vou passar a postar mais aqui do que em qualquer outro site meu:

http://corazondecenicero.tumblr.com 


O legal do tumblr é que ele é o blog MAIS SIMPLES que eu conheço, facílimo de usar. Vem com vários recursos de mídia e permite o upload de musicas e vídeos pro blog. E também é quase como um bloco de notas, você escolhe se posta, se faz um rascunho, se vai pôr uma citação, uma foto, uma conversa, um vídeo, uma música (tem postagens específicas pra cada tipo). Você também pode, como no Twitter, dar "re-tweets" do Tumblr dos outros. Enfim, é um blog bem mais interativo e moderno, mais prático, conciso e o tipo de coisa que to querendo usar.

E até logo, pessoal. O Livejournal entra num hiato, mas juro que passo aqui pra verificar o que vocês escrevem ;) 
 
 
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Igor Soares
25 June 2009 @ 12:10 pm
E foi aos 8 anos que Marcela levou seu primeiro tapa na cara. Era um belo dia de sol no Leblon. Muitos Gucci, Prada, Nike caminhando pela orla. A mãe de Marcela, com seus óculos Ray-ban novos , andava muito rápido. Marcela nunca entendeu por quê as pessoas no Leblon gostavam tanto desses óculos espalhafatosos. Passou a entender quando apareceram vários guardas policiais carregando pedaços de pano bem sujos. com sua curiosidade pueril, ela decidiu olhar o que estava acontecessendo. Durante exatos 3.18 segundos, Marcela encarou nos olhos da Miséria, da Fome,do Abandono e da Morte; mais ou menos, mas não necessariamente, nessa ordem. Passou a andar de óculos escuros para nunca mais deixar que o mundo olhasse tão dentro da alma dela.

Agora Marcela tem 19 anos. Ela continua levando tapas na cara, mas sabe como evitá-los. Como todos os jovens de sua classe, ela necessita de uma grande dose de alienação, consumismo e indiferença. Nas horas vagas, divide pó com as amigas e se deixa brutalizar por caras em festas. Mal sabe ler, a menina Marcela. Mas escreve que é uma beleza, tem um blog onde copia frases prontas de Clarice Lispector. Todas as amigas dela acham que ela é uma pessoa muito sensível. Os óculos escuros nunca saem do rosto, com medo do mundo que a espera do outro lado das lentes. Não se lembra da cor dos seus olhos nem da última vez que se olhou no espelho, mas também acha que não faria a menor diferença agora. Por dentro, Marcela tem 8 anos e leva um tapa todo dia. E secretamente, teme o dia em que levará o soco na cara, que lhe arrebentará os lábios, arrancará os dentes e estragará esse sorriso de Ray Ban.
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Igor Soares
08 June 2009 @ 09:54 pm
Misérias
Precárias
Procariontes
Aos montes
Doenças
Sentenças
Mortes
Sortes
E sabores
Fome
Crianças
Sem nome
Desigualdades
Desesperos
Desimportantes
Destinos
Cancros
Homens
Brancos
Cobranças
Canibalismo
Capitalismos
Ogivas
Osamas
Cataclismas
Catástrofes

Sujeiras
Rastros
Radares
Armas
Almas
Como pérolas
Aos porcos
Parcos
Riquezas
Pobrezas
Incertezas
Individualidades
Infinitos
Gases
Tóxicos
Preconceitos
Preceitos
Preconcebidos
Drogas
Violências
Vagabundas
E vagando vamos nós

Planeta
Pandora
Esperança
Cadê? 
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Igor Soares
05 June 2009 @ 01:23 am
19  
Agora eu sou 19, como os anjos que guardam a porta dos céus segundo o Corão; como o oitavo menor número primo; sou XIX como o século do romantismo e da revolução industrial, 19 como o potássio e 19 como os primeiros algarismos dos anos do séc. XX. 19 como um adolescente que nos EUA pode comprar tabaco mas não pode dirigir. Sou 19 como a Independência da Namíbia, 19 como Sean Kingston, Emma Watson e Soulja Boy. 19 como as letras da frase "eu já fiz dezenove anos". Sou 19, como se qualquer uma dessas coisas valesse a pena. 

São 19 anos sem a expectativa cumprida dos 18, a ansiedade dos 17, o contentamento dos 16, o orgulho dos 15, a felicidade dos 14 o a ingenuidade dos 13. E são 19 anos com toda a sede estranha de 20, com um medo dos 21. Não ligo tanto pro meu aniversário como nos últimos 18 anos, não me sinto especial, melhor, querido ou mágico. Não me sinto como se o mundo tivesse mudado de uma maneira incrível que eu só vou aproveitar agora aos 19.  O que eu tenho nas costas são apenas os pesos da vida: faculdade, trabalho, bolsa, a luta pela independência. Crescer assusta. Mas viver também. Ainda bem que só vivemos uma vida e não dezenove. 

O 19 foi indesejado na minha vida, mas já que chegou, que pelo menos possamos conviver bem. E que venham os 20! Parabéns pra mim e pros meus 19.
 
 
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Igor Soares
01 June 2009 @ 12:24 pm

It's the first day of the month. If you could have one wish come true this month, what would it be?


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(É o primeiro dia do mês. Se você pudesse ter um desejo que se realizasse esse mês, qual seria?)

Tentei escolher entre um dos milhões de pedidos que vieram na minha cabeça quando eu li o Writer's Block: cura do câncer e da AIDS, paz mundial, extinção da miséria, fim permanente das guerras, aceitação mundial da homossexualidade... 

Mas não sou nenhuma Madre Teresa de Calcutá e toda vez que pensava num desejo para o mundo, pensava em trinta desejos fúteis para mim: emagrecer permanentemente, ser a pessoa mais bonita que conheço, possuir superpoderes, ler a mente das pessoas, ser rico pra sempre, ter poder sobre as vidas humanas, ser imortal, ter toda a sabedoria do universo. 

O coração humano não conhece limites quando se trata de ganância e desejos. O que diferencia o ser humano dos outros animais, além das diferencias óbvias (parafraseando o curta-metragem "Ilha das Flores": telencéfalo desenvolvido e polegar opositor) é o potencial de sonhar as suas vontades e possuir as motizes para torná-las reais. Infelizmente o ser humano ainda não desenvolveu a habilidade de se sentir pleno em nenhum aspecto. Em meus 18 anos, 11 meses e 26 dias de vida (até o presente momento) não conheço pessoa alguma que tenha segurança para afirmar: eu sou feliz, realizado, satisfeito e sempre serei. Nascemos com uma ambição do tamanho do universo e morremos sem termos conquistado uma gota de orvalho sequer, secos por desejos intermináveis...

Considerando isso tudo, acho que a única coisa e a mais útil que eu poderia desejar era não ter mais nenhum desejo para minha vida. 
 
 
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Igor Soares
22 May 2009 @ 12:40 pm



O que vocês vêem quando olham pra janela da minha alma?
 
 
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Igor Soares
20 May 2009 @ 09:28 pm
Hoje eu acordei "inho". Em todos os sentidos. Acordei pequenininho, frágil; não respiro, sou um suspiro. Acordei com o pesar de uma vida e estou prestes a dormir com a leveza de uma alma. Sou uma sombra de um Igor, um sol metido a grão de areia.

Acordei minúsculo. Abri as janelas da minha alma e não me achei na imensidão que costumo ser. Onde estou? Cadê eu? É só,  sou só, isso tudo e nada quem sou: um pontinho, pequenininho, um Igorzinho, ser humanozinho no meio do meio, nos cantos do infinito. O mundo está parado e eu estou em círculos dentro de um eixo tão pequeno que nem sai do lugar.

Hoje eu sou zinho, sozinho.
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Igor Soares
17 May 2009 @ 11:53 pm
POST LONGO, MAS VALE A PENA LER. 

Acho que todos vocês sabem o quanto eu detesto homofobia (principalmente por eu também sofrer por culpa dessa maldita palavra de 9 letras) e hoje é o dia mundial da luta contra esse maldito e irracional ódio às pessoas que amam aqueles do mesmo sexo. Contra o pensamento da sociedade machista, branca, elitista, capitalista e heteronormativa que acha que pode definir o que é normal, o que é certo e o que é estranho e marginal. 

Ao invés de dissertar mil revoltas contra a maioria heterossexual preconceituosa da qual eu não pertenço (nem por uma categoria, nem por outra), prefiro deixar que os artistas que eu amo falem o que pensam sobre a homofobia através da música, que salva vidas e pode conscientizar contra o preconceito (que nada mais é do que a falta de informação). 


Com vocês: 

Patrick Wolf, violinista, multi-instrumentalista e gay, na música Battle:



"Batalhe os conservadores, batalhe pela sua batalha, batalha, batalha, batalha!
Batalhe os homofóbicos, batalhe por esta guerra, batalha, batalha, batalha, batalha!
É sua hora se se juntar à tribo, é o tempo para alguma vitória, vitória suprema, a sua vitória!"



Já passou o tempo de todos nós homossexuais, bissexuais, heterossexuais e transgêneros lutarem pelo que é nosso de direito: uma sociedade mais justa e igual para todos, independente de quem nós amamos. Shirley Manson, vocalista do grupo Garbage, heterossexual, também concorda:


 



"Eu não vou me sentir culpado, não importa o que me digam
Eu não vou me sentir sujo e comprar suas misérias
Não vou me envergonhar porque acredito que o amor é livre
Ele alimenta o coração, e o sexo não é o inimigo
Uma revolução é a solução!

Amor de verdade é como ouro, não há tanto por aí
E aí existe Deus... mas Deus não ama a todos?
Me dé uma escolha, me dê uma chance de encontrar o tom
Que pertence à minha voz, pois sexo não é o inimigo
Uma revolução é a solução!"


 

Sua religião não impede você de amar. Você é livre para ter suas escolhas. Tenho certeza que se existe um Deus, ele é amor. O seu Deus te ama do jeito que Ele te fez. Não deixe NUNCA a sociedade ou sua igreja te convencerem do contrário. AMOR É A LINGUAGEM DO SER HUMANO, É O DIREITO MAIS NATURAL QUE NÓS TEMOS. Tudo está repleto de amor. Já cantava Björk, heterossexual, na música All Is Full of Love, que se tornou o clipe mais premiado da história da música:


 

"Você receberá amor, você será cuidado
Você receberá amor, você tem que confiar nisso
Talvez não na mesma fonte em que você despejou o seu
Talvez não nas direções em que você tem olhado
Olhe ao seu redor, está tudo à sua volta
Tudo é repleto de amor, tudo à sua volta..."
 
 

Por que o amor de duas pessoas incomoda tanto a sociedade? Amor é uma coisa ruim? Duas pessoas que se amam tem o direito sim de andarem de mãos dadas, de se beijarem, de estarem juntas sem serem discriminadas. Recriminar não faz com que os homossexuais desapareçam. Nós nunca vamos desaparecer, e somos mais do que vocês possam imaginar. Será que somos isso mesmo, pessoas horrendas, hediondas, abomináveis? Cristina Aguilera (dispensa explicações) sabe que não é bem assim. 

(Não pude postar o clipe aqui, mas vocês podem ver aqui)
 

"Somos belos, não importa o que vocês digam
Palavras não vão nos derrubar
Somos belos, em cada maneira única e especial
Palavras não vão nos derrubar
Então não tente nos derrubar hoje" 

Uma sociedade homogênea que não respeita as diferenças não progride, regride. Como esperamos viver em paz se dentro dos lares, das escolas, das ruas, dos bares, de todos os lugares, existe uma guerra, uma agressão física ou moral nos esperando? O racismo, a homofobia, o sexismo, o terrorismo, todos os frutos da violência vêm da mesma árvore do ódio. Arvore essa que o ser humano cultiva desde os primórdios da sociedade, cujas raízes necessitam urgentemente de uma poda. Afinal, todos nós não somos seres humanos? LIBERDADE, IGUALDADE, E FRATERNIDADE, MAS ACIMA DE TUDO, PAZ E AMOR. Se todos nos unirmos, podemos mudar toda a história de ódio e intolerância criada pela sociedade. Podemos tornar a vida mais digna para todos aqueles que sonham com um dia poderem ser felizes sem temer a violência, a repressão, o preconceito, a homofobia. Um novo século XXI está aí, e apenas cabe a vocês plantar a semente da tolerância ou da crueldade. Que herança você quer deixar para as sociedades futuras?


 


 

"Eu sou mais um cara. Mas se você achar Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não pára

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára..."

 
 
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